Ainda não sei.
Mas sinto que este é um defeito humano, ou quem sabe uma qualidade... Tudo depende do ponto de vista.
Em mais uma história de Gumercindo, e como não poderia ser diferente, lhes apresento Solange.
Não diferente das outras... Linda... Um olhar misterioso... Uma boca tão rica em detalhes que não cabe a mim descrevê-los... E, não se diferindo muito, uma personalidade marcante. Sedutora. Mulher.
No auge da sua adolescência, 18 anos, uma nova vida, ela aparece: Graciosa. Mesmo suada, das atividades físicas realizadas, encantadora.
Ainda lembro da saia preta, dos sapatos... Seu sorriso. Seu corpo.
Eu, tímido por ser o 'novo' na turma, em meu lugar, logo me deparo com a monitora, vindo em minha direção como de costume, trocando sempre os pares na aula.
Foram meses a vendo e imaginando ser 'O cara' em que Solange se encantaria... Claro, sem sucesso.
Como o coração sempre nos laça com seus desejos e vontades, foram apenas momentos em que ganhei um sorriso... Um "Oi!"...
E, como todo jovem, defendendo ser a coisa certa, me declarei.
Quanta idiotice.
Imagino, em seus pensamentos, os deboches...
Sobrevivi.
De uma forma natural, consegui me afastar, aos poucos, até saber do recente namoro em que se encontrava.
A vida segue.
Como estas coisas nunca nos deixam, sempre que possível a visitava, em alguma rede social, claro, para ver de novo seu sorriso, sua boca...
Com o passar do tempo entendemos que é necessário seguir em frente.
Pois é, eu segui.
Quatro anos se passam. Solange se separa.
E ao acaso, um amigo em comum a convida pra sair, e claro, lá estava eu... Não só na festa, mas no caro, ao buscá-la. Como um arquivo que guardamos, e em um dia qualquer encontramos, estávamos no mesmo local.
Um pouco mais maduro que poucos anos atrás, começo novamente a me dar conta do quão linda é sua personalidade... Suas piadas, mesmo que sem graça, me fazia rir.
Com toda certeza, não podia ter de volta aquele sentimento de paixão, principalmente por uma moça que saíra com seu amigo!
_Não!
Penso.
A noite e os dias se passam.
Incrivelmente, em um baile rotineiro, ela... O mesmo sorriso de 4 anos... Mesmas piadas... Enfim, Solange.
Sem entender muito bem, algumas conversas surgem. Como se fossem amigos, as horas começam a passar tão rápido que não me dou conta que ainda estou no baile, e que deveria ter ido à uma festa, feita por meu irmão e amigos.
Com muita naturalidade, a convido.
_Vou sim! diz ela.
...
Como é de prache, não entendo se estaria apenas sendo gentil, amiga, se ainda teria vontade de rever o meu amigo, ou se estaria afim de mim...
_Claro que não gumercindo! Não seja tolo!
Mas como sempre há esperança, acreditei que fosse por mim.
Nesta noite não houve beijos, nem por parte de meu amigo.
Os finais de semana se passam, e em cada um deles tenho sua companhia.
Mágico. Cômico. Agonizante.
Mágico por estar diante daquele sorriso novamente.
Cômico, por suas piadas ainda sem graça...
Agonizante. Por não entender suas verdadeiras razões em sair comigo.
Mulheres.
Possuem um dom incrível de separar amizade de romance. E por quê??
O medo de perder a amizade seria maior que a vontade de ser feliz?
As semanas passavam tão rápidas, que me dei conta que não havia mais outra pessoa em meu pensamento, somente ela.
Eis que surge o galanteador Felipe. Aquele tipo de amigo que se encontra em todas as festas. Amigo de piadas, de bebidas, de conversas.
Mesmo ele sabendo que Solange não seria somente uma opção de amizade para mim, começa um jogo de sedução, na intenção de ter mais um 'troféu' em sua lista (não muito pequena) de mulheres em que já conquistou.
Alguém não muito fácil de competir, pois como dizem várias moças, tinha grande beleza.
Continuava sem entender, mas tentando encontrar um momento ideal para tentar beija-la, já que havia aceitado sair muitas vezes ao meu lado.
De hoje não passa!
Em um evento que aconteceria em um domingo próximo, tento me preparar fisicamente, financeiramente e psicologicamente para tentar fazer deste dia o decisivo.
Ao vê-la entrando... sinto-me como um afortunado, tremendo ao abraça-la, também podia, meu universo estava bem ali, exatamente em meus braços.
Tal evento começa bem: Solange com sua pequena blusa preta, saias curtas de cor bege, seu corpo esbelto e lindo... E, claro, seu sorriso.
São as melhores músicas dançadas da noite.
E, para minha felicidade, ela parecia tão contente! Com uma disposição em dançar junto a mim antes não vista. As conversas amistosas.
Quando, para minha decepção, meu 'amigo' chega. Felipe.
Como que instantaneamente, a procura, liga, e, para minha infelicidade, há resposta por parte dela.
Bom, a noite ainda prossegue. Mesmo ao lado dele, tenho ainda esperança de aquilo ser somente uma amizade.
Sabe, quando toca aquela música, em que você pensa: É agora!
Pois é, tocou.
E o 'É agora', aconteceu.
Não pra mim, mas para Felipe. Como em um filme, o tempo parou.
Os olhava com o pensamento de que tudo aquilo, as noites, as conversas, a companhia, havia sido somente um pretexto pra poder tê-lo.
Os dias voltaram a ser vazios.
As noites longas e frias.
Enfim, a rotina.
Meus pés não tocam mais o chão
Meus olhos não vêem a minha direção
Da minha boca saem coisas sem sentido
Você era o meu farol e hoje estou perdido
Meus olhos não vêem a minha direção
Da minha boca saem coisas sem sentido
Você era o meu farol e hoje estou perdido
O sofrimento vem à noite sem pudor
Somente o sono ameniza a minha dor
Mas e depois? E quando o dia clarear?
Quero viver do teu sorriso, teu olhar
Somente o sono ameniza a minha dor
Mas e depois? E quando o dia clarear?
Quero viver do teu sorriso, teu olhar
Eu corro pro mar pra não lembrar você
E o vento me traz o que eu quero esquecer
Entre os soluços do meu choro eu tento te explicar
Nos teus braços é o meu lugar
Contemplando as estrelas, minha solidão
Aperta forte o peito, é mais que uma emoção
Esqueci do meu orgulho pra você voltar Permaneço sem amor, sem luz, sem ar
E o vento me traz o que eu quero esquecer
Entre os soluços do meu choro eu tento te explicar
Nos teus braços é o meu lugar
Contemplando as estrelas, minha solidão
Aperta forte o peito, é mais que uma emoção
Esqueci do meu orgulho pra você voltar Permaneço sem amor, sem luz, sem ar